Sustentabilidade x Futebol! Um jogo com ECO em todas as Torcidas.


Agora de tarde li um texto que há tanto estava procurando.  Ele se chama Corinthians marca gol pela sustentabilidade “ , é curto e vale a pena um clic no link para saber o que o Timão está fazendo com os Verdes.

Ele mostra que o tema da gestão ambiental ou a competência da sustentabilidade, começa a marcar  gols no mundo do Futebol. Esse midiático e apaixonante esporte tem um incalculável poder de ecoar esse assunto junto aos apaixonados torcedores.  Basta imaginar quantos milhões de Torcedores, uma marca como Flamengo, poderá influenciar quando começar a se comunicar através do tema da sustentabilidade ou meio-ambiente. Sem contar, os ganhos intangíveis para sua imagem perante aos sócios, torcedores e patrocinadores.

O Futebol está alavancando várias inovações e transformações em toda indústria que lhe cerca. Elas vão desde a confecção do material esportivo até  construções de Estádios e Arenas, fazendo uso das tecnologias verdes. Contudo, seu poder de influência através dos seus Clubes e Ídolos , que tanta paixão e entretenimento exercem em seus torcedores, irá contribuir para ampliar as ações e discussões que envolvem o segmento Verde.

Sustentabilidade X Futebol

Sustentabilidade X Futebol

Todavia, para aqueles Clubes que estão trilhando o caminho da profissionalização, já podem marcar seus gols em prol da sustentabilidade esportiva e aos poucos, irem inserindo essa competência em seus estatutos ou modelos de negócios através de ações como:

  1. Plano de gerenciamento de resíduos sólidos e orgânicos, organizados por coleta seletiva de papel, plástico, metal, madeira, óleo de cozinha, pilhas, lâmpadas e orgânicos. Toda essa matéria prima, chamada no século passado de “lixo”, poderá ser vendida ou doada para cooperativas ou empresas que garantam o correto destino para indústria ou aterro;

  2. Projeto de coleta de água de chuva para regar gramados, instalações e outros fins. Quem sabe, a água das piscinas inclusive;

  3. Projeto que possa fazer uso de eficiência energética através de painéis de energia solar ou outras fontes renováveis;

  4. Desenvolver um estudo que possa estimar os índices de emissões de gases de efeito estufa gerados pela sua rotina de treinos, viagens e jogos. Conhecido esse dado, buscar ações que compensem tais emissões em conjunto com seus Torcedores;

  5. Estabelecer parcerias com seus fornecedores, incentivando que todo material esportivo possua índices crescentes de utilização de matéria prima reciclada na confecção de seus uniformes de treinos, jogos, viagens e aqueles disponíveis para venda aos seus torcedores;

  6. Buscar um espaço na camisa ou calção ou meião onde haja algum símbolo comunicando a sua Torcida o compromisso que todos devemos ter com o Meio-Ambiente;

  7. Desenvolver uma campanha que possa engajar funcionários e fornecedores em novas atitudes em prol da sustentabilidade;

  8. Engajar seus ídolos para que possam participar de campanhas, premiações e sorteios para seus Torcedores sobre temas e boas práticas que se enquadrem no tema Verde;

  9. Publicar em seus websites todas suas ações relacionadas com a sustentabilidade esportiva;

  10. Incentivar Federações e Confederações para que desenvolvam projetos sobre o tema junto aos Torcedores;

  11. Transformar cada gol em uma árvore plantada. Conheça o ” Jogando pelo Meio Ambiente ” ;

Aí estão 11 golaços que irão ajudar nossos Clubes a jogarem e ganharem essa nova partida. Se o Futebol já tem um papel de enorme influência no entretenimento dos torcedores, a partir de agora,  irá aumentar muito mais, dando essa contribuição para suas vidas e suas Empresas.

Show de Bola Verde

Show de Bola Verde


Finalizo com uma divertida sugestão para o Clube de Regatas do Flamengo buscar um espaço no seu uniforme para comunicar seu engajamento com os recursos do meio-ambiente:

RECICLAR   REDUZIR   REPENSAR   RECUSAR   e   REUTILIZAR

RECICLAR REDUZIR REPENSAR RECUSAR e REUTILIZAR

Anúncios

O Papel do Líder da Sustentabilidade Corporativa


O Papel do Líder da Sustentabilidade Corporativa


Sabemos que são poucas as empresas que já designaram o seu líder na competência da sustentabilidade corporativa. Nas empresas multinacionais, esse profissional é chamado de CSO – Chief Sustainability Officer, seguindo a moda das siglas como CEO, CFO, CIO, CTO dentre outras. Nas empresas nacionais, pode ser chamada de Diretora ou Gerente de Sustentabilidade.

O nome do cargo é escolhido conforme a cultura e práticas de recursos humanos de cada empresa. O mais importante aqui é refletir e debater sobre a missão desse importante profissional no novo cenário empresarial.

Se essa competência é, de fato, uma prioridade para a empresa, esse líder se reportará diretamente para ao CEO ou Presidenta. Nesse nível de reporte, a empresa informará claramente para a organização e aos seus stakeholders, que a Sustentabilidade Corporativa passará a ser uma competência estratégica para o seu negócio.

O  perfil comportamental dessa profissional deverá estar relacionado à sua capacidade de atuar como agente de transformação como também um excelente nível de relacionamento interpessoal. Ela transitará e atuará com todas as organizações, devendo abrir e manter portas abertas com  seus pares e colaboradores. Uma dose ajustada de bom humor e paciência, ajudará bastante, porque nem todos os profissionais são maduros e preparados  para reconhecer na sustentabilidade corporativa, algo importante para empresa na sua totalidade. Seja dentro ou fora dela.

É possível listar as principais atribuições da Líder da Sustentabilidade Corporativa, contudo, cada CSO ou cada Executiva deverá moldar esta competência considerando aspectos como necessidades imediatas de cada empresa, sua maturidade frente ao tema e seu respectivo mercado.

Podemos contextualizar suas atribuições dentro dos âmbitos externo e interno à empresa:

Atuação externa:

Ser porta-voz e formador de opinião sobre a Sustentabilidade Corporativa através da publicação de artigos, palestras, exposição de projetos da empresa e debates com seus pares;

Relacionar-se com líderes do pensamento em sustentabilidade corporativa, mantendo-se como canal aberto de comunicação;

Trabalhar com Marketing de Comunicação para posicionar a empresa como player focado na sustentabilidade corporativa;

Acompanhar os passos da concorrência local e global e promover estudos de análise de tendências de mercado e tecnologias;

Incentivar, coordenar e permitir a colaboração da empresa em projetos de sustentabilidade e melhores práticas, sempre observando o contexto no qual a empresa está inserida;

Representar a empresa junto aos órgãos governamentais e institucionais diretamente ligados ao tema da sustentabilidade;

Atuação interna:

Ω Desenvolver uma visão estratégica para a empresa, garantindo que a competência da sustentabilidade permeie toda a  organização;

Ω Interagir com a organização para coordenar recursos em todas as áreas visando o compartilhamento de idéias, tecnologias, processos e melhores práticas;

Ω Incentivar e promover a participação de todos os colaboradores;

Ω Trabalhar com Marketing de Produto e Serviços para estabelecer plano de ação para promover ajustes nos produtos atuais e futuros, maximizando os índices de sustentabilidade no seu desenvolvimento, embalagem, entrega, logística reversa e descarte;

Ω Trabalhar com Setor Jurídico para garantir aderência às leis e legislações de cunho ambiental;

Ω Desenvolver uma equipe de profissionais de sustentabilidade na empresa e suas linhas de negócios, aproveitando os recursos existentes e mobilizando outros apoios, com objetivos de promulgar uma mudança de cultura, políticas e melhores práticas.

Ω Criar Key Performance Indicators para serviços e produtos visando componentes da sustentabilidade;

Ω Avaliar aplicabilidade por exigência ou boas práticas de certificações como ISO 14001, Sistemas de Gestão Ambiental, Gestão das Emissões e Mitigações de GEE (Gases de Efeito Estufa)

Ω Garantir implantação e efetiva manutenção de um plano de redução de resíduos, bem como de transformação destes em matéria-prima a ser reciclada;

Ω Desenvolver com a área de compras, políticas de compras sustentáveis, criando um ranking para os fornecedores que deverão  se comprometer a trabalhar com essa competência nos seus negócios;

Ω Criar medidores de eficiência energética, hídrica e de qualidade do ar;

Ω Promover programas de treinamento e desenvolvimento contínuos dos colaboradores para que se comprometam tanto dentro da empresa como em seus lares;

Ω Aderir às boas práticas da empresa tais como governança corporativa, gerenciamento de projetos, dentre outras;

Ω Apresentar relatórios periódicos dos principais KPIs;

Ω Coordenar e apresentar o relatório anual de sustentabilidade.

Finalizo reforçando que o CSO é uma realidade em poucas empresas e um futuro não muito distante para as demais.

Prometo retornar em breve, falando do CSO inserido em cada tipo de indústria e mercados e seu papel na transformação de empresas cinzas e Verde$.

O que é ser Sustentável?


O que é ser Sustentável ?

Gosto de começar as primeiras aulas do ano fazendo essa pergunta aos meus alunos. Quase que invariavelmente vejo rostos com expressões desconfiadas, coloridas, verdadeiras “caras de paisagem”. Investigo e avanço um pouco mais o tema e vou percebendo que há luz no fim do túnel.

No meu caminho de volta para casa penso no assunto. O que eu faria, ou melhor, o que será que tenho feito para contribuir com o aclamado desenvolvimento sustentável? Meu refrigerador tem eficiência energética “A”. Fecho a torneira enquanto escovo os dentes. Gosto de comprar alimentos com selos que indicam respeito a práticas socioambientais. Separo meu lixo religiosamente todos os dias. Será que contribui? Às vezes fico com pena daquela água que lava a latinha de creme de leite antes dela ir parar no cesto de lixo reciclável. Fico pensando em quanto tempo, dinheiro e produtos químicos foram utilizados pra fazer com que aquela água que lava a latinha chegasse à torneira da pia do meu apartamento, limpinha. Desconfio da minha ação, mas deposito orgulhosa nas lixeiras do condomínio meu lixo reciclável quatro vezes mais volumoso que meu lixo orgânico, mesmo assim.

E o empresariado?   Será que faria “cara de paisagem” diante dessa pergunta?   O que é ser uma empresa sustentável?

Acredito que não faria. Em minha militância na área ambiental tenho visto ações ambientalmente responsáveis adotadas pelas empresas. Uso de fontes alternativas de energia, estudos de ciclo de vida de produtos e ecodesign, reuso de água, produtos certificados, construções certificadas, reciclagem, co-processamento, sistemas de gestão ambiental.

É claro que a legislação ambiental não deixa muita margem de escolha nas ações. A fiscalização, apesar de notoriamente deficiente (falta de verba e pessoal, equipamentos e veículos inapropriados ou em pequeno número), feita pelos órgãos ambientais nas três esferas da federação está no encalço principalmente das empresas e impõe condutas ambientalmente corretas sob pena de sanções e interdições.

Por outro lado, há empresários que perceberam oportunidades de negócios investindo em prestação de serviços na área ambiental. É crescente o número de empresas especializadas em coleta de resíduos, tratamento de efluentes, marketing verde etc. As indústrias por sua vez também têm se tornado mais verde. O  lema da administração de negócios dos últimos anos tem sido “ Green is Green ”, em uma analogia ao dólar.

Mas o que será do desenvolvimento sustentável se o ganho econômico e a melhoria da qualidade ambiental não agregar a vertente social por meio da distribuição desses benefícios?

O Brasil vive uma onda de crescimento econômico que, diga-se de passagem, não é novidade em nosso país. Investimentos em hidrelétricas, biocombustível, pré-sal trouxeram grandes riquezas, mas será que garantiram a inclusão social mediante promoção do desenvolvimento humano local?

Nos últimos anos cientistas e governantes de diversos países vêm discutindo os efeitos nocivos de um desenvolvimento historicamente não planejado sobre as reservas naturais do planeta. As mudanças climáticas têm sido apontadas como o efeito mais evidente da alteração dos ecossistemas.

Nesse início de ano vivenciamos aterrorizados os sintomas do aquecimento do planeta com fortes chuvas e inundações, em especial na região sul e sudeste, ventos fortes no sul do nosso país e grandes nevascas no hemisfério norte.

Acompanhamos no final do ano de 2009 em Copenhague a 15º Conferência das Partes (COP 15), reunião de cientistas e dirigentes de vários países com o objetivo comum de encontrar soluções para controle dessas alterações climáticas . [1]

[1] Na última edição dessa revista fizemos um breve histórico sobre a criação do marco legal internacional que propôs medidas para controle das mudanças climáticas, a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima – CQNUMC, cujos dispositivos não possuem caráter coercitivo. Falamos sobre seu braço mandatório, o Protocolo de Quioto, que fixou limites obrigatórios para controle dos GEE. E vimos que os países signatários do Protocolo de Quioto foram divididos em Anexo I, para aqueles países considerados desenvolvidos e que tiveram metas de redução de GEE e o grupo dos “não-Anexo I” que reuniu os países em desenvolvimento, incluindo o Brasil.

Apesar da reunião terminar sem uma proposta objetiva e definitiva sobre metas de redução dos gases de efeito estufa (GEE) responsáveis pelas mudanças climáticas, nosso presidente da república lá presente, assumiu em discurso o compromisso de empenhar esforços para alcançar níveis consideráveis de redução desses gases em nosso território, muito embora as metas compulsórias para redução não caibam ao Brasil.

Coerente com sua promessa, em 28 de dezembro, o presidente Lula sancionou a Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC) cujos objetivos devem estar em consonância com o desenvolvimento sustentável a fim de buscar o crescimento econômico, a erradicação da pobreza e a redução das desigualdades sociais.

Esta lei será regulamentada por um decreto com as metas de redução de emissão para cada setor da economia e o Governo já se programa para realizar reuniões com a sociedade civil, cientistas e empresários de áreas como construção civil, mineração, setor agropecuário, indústria de bens de consumo, de serviços de saúde e transporte público para discutir essas metas.

É evidente que esta lei vai gerar impacto nas atividades, resta saber se o empresariado vai aguardar o comando para agir ou adotar medidas preventivas.

Uma forma de se adiantar a essas exigências é fazer uso do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), uma das ferramentas do Protocolo de Quioto que permite que países industrializados (Anexo I) financiem projetos de redução de emissões de GEE em países em desenvolvimento (não Anexo I) gerando créditos de Reduções Certificadas de Emissões (RCE) como modo suplementar para cumprirem suas metas.

O Brasil foi pioneiro em negociar créditos de carbono originados de projeto de MDL. A Prefeitura de São Paulo, responsável pela administração do Aterro Bandeirantes, implementou um sistema de canalização dos gases gerados pela decomposição dos resíduos evitando assim que fossem parar na atmosfera. Esse seqüestro de GEE gerou créditos de carbono que foram negociados na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) em 26 de setembro de 2007. O banco holandês Fortis Bank NV/SA pagou R$34 milhões por 808.450 créditos de carbono. [2]

[2] Para cálculo de emissão de GEE convencionou-se que uma tonelada de dióxido de carbono (CO2) corresponde a um crédito de carbono que pode ser negociado no mercado internacional

Segundo dados apresentados pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), até o momento foram 5.804 projetos de MDL apresentados ao Conselho Executivo do Protocolo e “o Brasil ocupa o 3º lugar em número de atividades de projeto, com 438 projetos (8%), sendo que em primeiro lugar encontra-se a China com 2.162 (37%) e, em segundo, a Índia com 1.546 projetos (27%)”. [3]

Participação no Total de Atividades de Projeto no âmbito do MDL no Mundo

[3] Status atual das atividades de projeto no âmbito do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) no Brasil e no mundo. Última compilação do site da CQNUMC: 01 de fevereiro de 2010 ( http://www.mct.gov.br/upd_blob/0208/208544.pdf )

Dos 5.804 projetos apresentados, 2.029 foram efetivamente registrados pelo Conselho Executivo do MDL. A China ocupa a primeira posição com 732 registrados, seguida da Índia com 481 projetos e em terceiro lugar o Brasil com 168.

Projetos MDL Registrados no Mundo

Projetos MDL Registrados no Mundo - Fonte: MCT, 2010 (http://www.mct.gov.br/upd_blob/0208/208544.pdf)

Outra forma do empresário brasileiro se antecipar às metas de redução que serão impostas pelo decreto regulamentador da PNMC é aderir ao mercado voluntário de carbono. Organizações que não precisam diminuir suas emissões segundo as regras do Protocolo de Quioto há algum tempo já comercializam suas reduções de emissões em mercados voluntários, como o Chicago Climate Exchange.

Um outro cenário é aquele em que floresce naturalmente a conscientização de pessoas ou corporações por sua parcela de contribuição com o aquecimento global e recorrem às compensações de carbono; uma espécie de neutralização de suas pegadas ecológicas .

Quem pode fazer? Qualquer pessoa ou empresa. Onde? Em edifícios, meio de transporte, atividades diversas como operação de produtos e serviços, eventos como congressos, shows, conferências etc.

Como funciona? Empresas de consultoria calculam a emissão de GEEs do cliente a partir de uma referência: uso de eletricidade, quantidade de deslocamentos aéreos, utilização de veículo e tipo de combustível, a realização de evento etc. Com o resultado das emissões faz-se a compensação por meio de financiamento de projetos que absorvam esses gases da atmosfera, como o plantio de árvores em áreas de preservação permanente. Alguns exemplos de atividades que neutralizaram suas emissões:

Entretenimento: Banda Asa de Água na 4a. edição da Trivela na Praia do Forte, Bahia em 2010, show do grupo Rappa realizado em junho de 2009.

Companhias aéreas: Gol, TAM, Silverjet

Eventos: edição de inverno de 2009 do SPFW, Circuito Banco do Brasil de Vôlei de Praia de 2008

Empresas: Papel Report Carbono Zero da Suzano, Natura, Bosch Eletrodomésticos;

Essas iniciativas, entretanto, são tímidas e pontuais e poucas organizações investem em produtos e serviços carbono neutro, menos ainda em projetos que envolvam aspectos sociais.

O setor sucroalcooleiro já se adiantou e incentiva estudos que contabilizam o balanço de emissão de CO2 no ciclo do etanol.

O BNDES, que desde 2003 apóia ações de inovação para as micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) lançou em 2009 um cartão que permite a contratação de serviços de pesquisa e desenvolvimento fornecidos por Instituições Científicas e Tecnológicas (ICTs) credenciados.

Entre os itens financiáveis estão aquisição de transferência de tecnologia, de serviços técnicos especializados em eficiência energética e impacto ambiental, design, prototipagem, resposta técnica de alta complexidade, avaliação da qualidade de produto e processo de software.

Em uma perspectiva de gestão de negócios frente às mudanças climáticas é preciso que o empresário pense em inovação e adote políticas de sustentabilidade. A nova ordem exige ações de estudo dos impactos ambientais provocados pela atividade e adoção das respectivas medidas mitigadoras. A sociedade está ampliando conhecimento e preocupação com a qualidade do meio ambiente e sente-se cada vez mais atraída por produtos e serviços de empresas com responsabilidade socioambiental.

Faça a sua parte!

Autora:

Adriana Ponce Coelho Cerântola é advogada especializada em meio ambiente, sócia-fundadora de Santos & Cerântola Sociedade de Advogados, docente e palestrante. Contato: adriana@santoscerantola.com.br (55 11) 3864-9501 e 9998-8885.

SUSTENTABILIDADE NAS EMPRESAS


Por onde começar?

Por que fazer parte do crescente cenário de Empresas Verde$ ?

O tema da Sustentabilidade está tomando mais espaço em todas as mídias como televisão, jornais, internet, revistas e outras que surgem quase todos os dias, principalmente advindas do mundo da web. Ao mesmo tempo em que esse tema ocupa seu merecido espaço, as empresas de grande, médio ou pequeno porte, de qualquer mercado, seja finanças, indústria ou serviços estão se fazendo muitas perguntas: Por onde começar? Por que fazer parte do crescente cenário de Empresas Verde$? Como posso agregar valor à minha empresa? Enfim, a lista de perguntas é grande e esse artigo pretende estimular essa reflexão e incentivar que outras perguntas sejam formuladas.

Esse momento da Sustentabilidade é extremamente rico e estimulante pelo seu caráter investigativo e inovador, pois ninguém tem uma receita de bolo completa e testada que possa servir de exemplo sobre os acertos e erros nesse segmento.

Um bom começo parte da iniciativa de inserir sustentabilidade como parte da sua estratégia, do seu modelo de negócio, podendo seguir o conceito do triple bottom line, ou seja, direcionando seu crescimento e valorização por meio de ações sociais, ambientais e econômicas.
É possível associar sustentabilidade com redução de custos, e algumas empresas já perceberam isso. Veja o caso da Nike que em uma linha de produtos utiliza matéria-prima como algodão plantado num raio de até 300 quilômetros da sua unidade industrial. Além de reduzir o custo e as emissões do transporte de longa distância acaba por fomentar o trabalho local. Outra empresa que aderiu ao greening foi a UNILEVER que inovou em uma de suas linhas de cosméticos criando uma embalagem mais fina, economizando, segundo a empresa o equivalente a 15 milhões de embalagens tradicionais.

A GE é outro exemplo de sucesso, e tornou-se benchmarking de inovação e sustentabilidade. Seu presidente, Jeffrey Immelt, anunciou em 2007 uma nova linha de produtos com o selo Ecomagination. A estratégia da empresa foi incorporar a sustentabilidade ao ciclo tradicional de inovação, em vez de criar novos sistemas de gestão. Resultado, em apenas dois anos a receita dos produtos verdes cresceu três vezes mais que a média de vendas da empresa para os produtos tradicionais. Em 2006, foram US$ 11,5 bilhões. Foi nessa ocasião que Immelt afirmou “green is green” numa clara alusão às notas verdinhas de dólar. Essa expressão ganhou destaque na mídia e percorreu o mundo servindo de inspiração para outras companhias.

Sendo assim, assumir que sua empresa abraçou a sustentabilidade na sua estratégia e que, depois do lucro ela terá uma significativa prioridade, é o passo inicial. Dessa forma o engajamento do presidente e corpo executivo, que obviamente, terão sua remuneração associada com esse novo desafio, é fundamental para garantir a implementação da sustentabilidade em todos os processos do seu negócio fim-afim.

O próximo passo será avaliar se cabe a contratação de serviços de consultoria para dar suporte à sua empresa no processo de inserção dessa competência e desse novo processo ou, se o melhor caminho é criar uma área ou organização que gerencie esse segmento ou ainda, se é possível optar por um mix dessas opções. O mais importante aqui é que seja assimilado que esse tema dever ter atuação cruzada e matricial por todas as áreas da sua organização e, conforme a maturidade da sua empresa ou negócio. Como saber se sua Empresa está se inserindo no grupo das Empresas Verde$? Você terá uma boa noção do quanto sua empresa é sustentável, criando indicadores que lhe apontem e ajudem na construção dessa percepção junto aos seus stakeholders.

Empresas Verde$

Empresas Verde$

O que são indicadores? Simplificando o conceito, os indicadores são unidades que permitem medir o desempenho de atividades, produtos entre outros interesses.

Assim, o indicador de sustentabilidade  é uma unidade de medida, um elemento informativo de natureza física, química, biológica, econômica, social e institucional – representado por um termo ou expressão que possa ser medido, ao longo de determinado tempo, a fim de caracterizar ou expressar os efeitos e tendências e avaliar as inter-relações entre os recursos naturais, saúde humana e a qualidade ambiental (dos ecossistemas),  estreitamente alinhado e harmonizado com o entendimento de aspectos econômicos, ambientais e sociais. (FURTADO, 2009, p. 123)

Considerando que Sustentabilidade fará parte do DNA da sua empresa, é imperativo que todas as áreas e processos de negócios façam parte desse contexto.

Como exercício de reflexão, podemos passar rapidamente por alguns processos de negócio envolvendo a área de marketing da empresa e aspectos legais, já que são as áreas de atuação dos autores desse artigo.

Marketing de Comunicação: na medida em que sua empresa desenvolva esses indicadores, não hesite em comunicá-los para o seu mercado. Procure por grupos e associações do seu segmento que já estejam dialogando sobre Sustentabilidade. Reserve parte do seu orçamento para patrocínio e associações que possam compartilhar experiências do seu mercado alvo e seus competidores.

Marketing de Produto: com base no conceito de produção mais limpa, avalie onde você pode adotar práticas de reciclar, reduzir, reutilizar, recusar e repensar seus produtos. Comece pelo dia que a matéria-prima chega à sua empresa até o dia que ela sai para ser adquirida pelo seu cliente.

Crie seus indicadores, lembrando que só é possível mudar aquilo que conhecemos e medimos. Tenha sempre em mente que tudo isso deve resultar em redução de custos e aumento de receita.

Superada essa fase, olhe para além da sua empresa e procure identificar como os seus fornecedores trabalham para entregar a matéria-prima para seu produto ou os serviços. Estabeleça parceria e transfira seus conhecimentos de sustentabilidade. Deixe claro que eles serão avaliados por preço, prazo de entrega, qualidade como sempre foram e que, a partir de agora, suas práticas ambientais também serão consideradas.

Agora que você está cuidando das suas práticas de produção e dos seus fornecedores, chegou a hora de cuidar dos seus clientes. Pesquise e saiba o que eles esperam de você para tornar seu produto mais sustentável. Adote matéria-prima amiga da natureza, gere menos resíduos, repense suas ações para implantação de uma logística reversa e garanta ao seu cliente a coleta adequada dos resíduos gerados pelo consumo de seu produto, bem como orientações para um descarte seguro.

Imagine que você gastou preciosos anos de sua vida desenvolvendo seu produto, estudando o mercado perfeito e de repente vê estampando as primeiras páginas do jornal o nome do seu produto ou empresa associados a um aterro clandestino que acabou de ser descoberto. Como é que sua marca foi parar ali? Mas foi o consumidor que não destinou adequadamente a embalagem do meu produto. Não importa. O estrago já foi feito. É sua marca que está ali justamente no foco daquele jornalista. Uma bem estruturada logística reversa teria evitado esse dissabor.

Marketing Interno: crie campanhas envolvendo seus colaboradores para que tragam idéias para o seu negócio, deixando claro que você espera deles esse engajamento e que os mesmos serão reconhecidos e premiados por atuações destacadas nesse segmento. Procure incentivá-los para que possam implementar práticas ambientais também em suas casas.

Aspectos Legais: conheça as leis. A máxima “ninguém pode alegar ignorância da lei em defesa própria” vale tanto para seus fornecedores, prestadores de serviços como para sua empresa e também para você pessoalmente. Portanto, conheça as regras de seu país. Lembre-se da “corrente da infelicidade”. Na área ambiental responde pelo dano aquele que direta ou indiretamente contribuiu para a degradação.

No campo administrativo pode ser autuado tanto o infrator direto como aquele que contribuiu para a ação ilegal como aquele que se beneficiou (risco proveito).

Portanto, conhecer e aplicar a legislação além de serem ações que consistem no pleno exercício da cidadania ainda previne conflitos e litígios. E conhecer não apenas a legislação ambiental, mas também a trabalhista, tributária, comercial, enfim todas as regras que determinam uma conduta para a sociedade.

Além do campo de comando e controle da lei. A obediência à legislação também se relaciona às questões econômicas da atividade empresarial, como o financiamento, por exemplo. Segundo a Lei da Política Nacional de Meio Ambiente (Lei Federal 6.938/81) as entidades e órgãos de incentivos governamentais devem condicionar a aprovação de projetos de financiamento apenas a empreendimentos que cumpram as normas, os critérios e os padrões expedidos pelos Órgãos ambientais.

Os bancos vêm ao longo desses anos seguindo esta determinação legal. E em abril deste ano foi assinado um Protoloco de Intenções entre a FEBRABAN e o Ministério do Meio Ambiente prevendo a concessão de financiamento apenas aos setores comprometidos com a sustentabilidade ambiental.

Também a Caixa Econômica Federal criou este ano uma regra de sustentabilidade para financionamento de obras, na qual desde janeiro só aprova financiamento de habitações mediante comprovação de que a madeira a ser utilizada tem origem legal.

Igualmente o Banco Santander criou o Programa Obra Sustentável cujo objetivo é facilitar o financiamento de projetos da construção civil que apresentem práticas sustentáveis como o aumento de eficiência energética, redução do impacto ambiental e social e ofereçam maior qualidade de vida para o futuro morador.

Quando você estiver colhendo frutos dessas ações, automaticamente terá as respostas para perguntas do tipo: como obter mais investimentos dos seus investidores, como conseguir boas taxas de financiamentos e, principalmente, ter sua empresa reconhecida pelos seus Clientes como uma Empresa Verde. É questão de pouco tempo para que os investidores escolham colocar seu capital em Empresas Sustentáveis; Bancos já decidem para quais Empresas irão conceder financiamentos para investimentos em novas tecnologias Verde$ e, seus Clientes serão fiéis ao seu produto se ele apresentar preço competitivo, prazo de entrega, qualidade e grau de comprometimento com a sustentabilidade.

Você pode começar agora ou aguardar seu competidor sair na frente! A escolha é sua.

Referências Bibliográficas:

FURTADO, J.S. Indicadores de sustentabilidade e governança. Revista Intertox de Toxicologia, Risco Ambiental e Sociedade, São Paulo, v. 2, n. 1, p. 121-188, fev. 2009.

MANO, C. O executivo mais verde do mundo. Revista Exame, São Paulo, 20 mar. 2008

Autores:

Adriana Ponce Coelho Cerântola

Adriana Ponce Coelho Cerântola

Adriana Ponce Coelho Cerântola é advogada especializada em meio ambiente, sócia-fundadora de Santos & Cerântola Sociedade de Advogados, docente e palestrante (adriana@santoscerantola.com.br) (55 11) 3864-9501.

Fabiano Facó é Consultor de Projetos e Sustentabilidade, atua junto à Urbia Commercial Properties S/A, Tecnólogo em Gestão de Marketing e pós-graduando no MBA Gestão Ambiental e Práticas de Sustentabilidade do Instituto Mauá de Tecnologia (fabianofaco@terra.com.br)

Esse artigo foi desenvolvido para ser publicado no site da Revista Guia do Reciclador http://www.guiadoreciclador.com/

Edição Número 35 de Outubro/Novembro de 2009

Newer entries »

%d blogueiros gostam disto: