Os ecopontos estão cumprindo sua função socioambiental ?


Os ecopontos da cidade de Rio Claro são iniciativas públicas que visam a dar uma destinação final ecologicamente correta aos resíduos neles descartados. Segundo o folheto da prefeitura, são aceitos, nesses locais, pequenos volumes de resíduos da construção civil, resíduos eletrônicos, móveis velhos, resíduos da linha branca, papelão, papel, plásticos, vidros e metais, pneus e lâmpadas fluorescentes por munícipes.

                Considerando-se os apelos ambientais da atualidade, bem como a recente aprovação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305), é importante que o governo articule mecanismos eficazes em prol da promoção da sustentabilidade e consciência ambiental. Cabe a ele prover estímulo à ecoeficiência e ser modelo para todos os agentes envolvidos na responsabilidade compartilhada pelos resíduos sólidos.

                Como integrante do Parlamento Jovem 2011 e pesquisadora júnior em gestão ambiental, venho acompanhando a situação dos três primeiros ecopontos públicos de Rio Claro desde o ano passado: o do Cervezão, o do São Miguel e o do Jardim São Paulo. A infraestrutura e operacionalização dessas iniciativas vêm sendo melhoradas pela Sepladema, mas isso nem sempre basta para garantir destinação final ambientalmente adequada aos resíduos neles descartados.

                Dentre as condições observadas nos três locais que mais contradizem seu suposto caráter “ecologicamente correto” destaca-se a disposição sem critério técnico adequado de lâmpadas fluorescentes, ao ar livre, nas proximidades de resíduos de grande porte. Não raro, lâmpadas quebradas foram observadas nesses locais, apresentando riscos à comunidade, devido à liberação de gás de mercúrio. Além disso, a falta de especificação quanto à tipologia dos resíduos que podem ser descartados resulta numa disposição caótica dos demais resíduos nas caçambas, misturados com podas de árvores e resíduos orgânicos.

As pilhas e baterias descartadas nos ecopontos, consideradas resíduos perigosos, acabam indo parar no aterro sanitário da cidade, em desacordo com as medidas preconizadas pela Política Nacional de Resíduos Sólidos. Essa prática inadequada também contradiz a Resolução 401 do Conama, pois desconsidera a toxicologia e periculosidade desses resíduos que resultam em riscos para a saúde pública.

            Em duas visitas nos últimos 10 meses aos ecopontos, foi possível observar “sem tetos” utilizando estas instalações como abrigo, convivendo em meio a resíduos de todo tipo, sem a menor noção dos riscos.

Imagens do Ecoponto Texto Maira

Imagens do Ecoponto Texto Maira

            Aproveitando que acabamos de passar por novo processo eleitoral, com novos mandatos de Prefeitos e Vereadores, é importante chamar a atenção para o problema levantando as seguintes questões:

(1) Os ecopontos estão cumprindo sua função socioambiental?

(2) Os recursos investidos em suas construções, da ordem de cem mil reais cada, foram bem empregados?

Cabe à população rioclarense refletir sobre essas questões e ficar atenta para que “desacertos políticos” como este não se repitam na nova gestão que se descortina.

Maira Rubini Ruiz é aluna do 2º ano do Ensino Médio do Colégio Koelle. Bolsista de Iniciação Científica Júnior do CNPq em 2011 e 2012 e pesquisadora júnior em gestão ambiental. Membro do Parlamento Jovem 2012 e finalista da Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace), Genius Olympiad e Mostratec no ano de 2012. Para interagir com Maira, você pode acessar seu facebook https://www.facebook.com/mairarruiz ou email para mairarruiz@hotmail.com

Maira Ruiz

Maira Ruiz

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