Sustentabilidade Empresarial: Custo extra ou impulso nos negócios ?


A Revista Promo Insights é uma revista digital que oferece conteúdo sobre marketing promocional, tendências, pesquisas inéditas, dicas e artigos de especialistas. Seu público alvo compreende algo em torno de 100 mil profissionais como presidentes, diretores, gerentes e executivos de marketing, compras, comunicação, trade-marketing, recursos humanos, eventos, promoção e propaganda, das principais empresas e agências do país.   A última edição, de número 14,  pode ser lida na web, bastando clicar aqui

Esse número traz uma matéria da Jornalista Ana Luiza Panazzolo chamada Sustentabilidade Empresarial: Custo extra ou impulso nos negócios ?

Contando com a colaboração de Bernadete Ângelo de Almeida e minha, Ana conseguiu compartilhar com seus leitores um resumo do que significa a competência da sustentabilidade empresarial, através de um texto leve e informativo. Sem usar a terminologia do cotidiano dos profissionais da sustentabilidade como: ACV ( análise do ciclo de vida ), inventário de emissões de GEE,  Relatórios GRI, etc , seu conteúdo simplifica o tema que mais cresce na agenda das empresas, governos e pessoas, estimulando que cada um passe a conhecer a sua pegada de energia, resíduos, água, terra e ar para em seguida desenvolver estratégias de como se relacionar com os recursos do meio ambiente.

Melhor do que ler minhas palavras, todas empolgadas com o tema e com a oportunidade de compartilhar o que estou aprendendo no MBA de Gestão Ambiental e Práticas de Sustentabilidade do Instituto Mauá de Tecnologia,  é ler a reportagem inteira

Fabiano Facó - Habitante Verde

Fabiano Facó - Habitante Verde

nesse link: http://bit.ly/9ejTZA

Pode clicar que você vai gostar!

Com muito orgulho, os créditos da foto vão para Khym Facó, meu filho.

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O Papel do Líder da Sustentabilidade Corporativa


O Papel do Líder da Sustentabilidade Corporativa


Sabemos que são poucas as empresas que já designaram o seu líder na competência da sustentabilidade corporativa. Nas empresas multinacionais, esse profissional é chamado de CSO – Chief Sustainability Officer, seguindo a moda das siglas como CEO, CFO, CIO, CTO dentre outras. Nas empresas nacionais, pode ser chamada de Diretora ou Gerente de Sustentabilidade.

O nome do cargo é escolhido conforme a cultura e práticas de recursos humanos de cada empresa. O mais importante aqui é refletir e debater sobre a missão desse importante profissional no novo cenário empresarial.

Se essa competência é, de fato, uma prioridade para a empresa, esse líder se reportará diretamente para ao CEO ou Presidenta. Nesse nível de reporte, a empresa informará claramente para a organização e aos seus stakeholders, que a Sustentabilidade Corporativa passará a ser uma competência estratégica para o seu negócio.

O  perfil comportamental dessa profissional deverá estar relacionado à sua capacidade de atuar como agente de transformação como também um excelente nível de relacionamento interpessoal. Ela transitará e atuará com todas as organizações, devendo abrir e manter portas abertas com  seus pares e colaboradores. Uma dose ajustada de bom humor e paciência, ajudará bastante, porque nem todos os profissionais são maduros e preparados  para reconhecer na sustentabilidade corporativa, algo importante para empresa na sua totalidade. Seja dentro ou fora dela.

É possível listar as principais atribuições da Líder da Sustentabilidade Corporativa, contudo, cada CSO ou cada Executiva deverá moldar esta competência considerando aspectos como necessidades imediatas de cada empresa, sua maturidade frente ao tema e seu respectivo mercado.

Podemos contextualizar suas atribuições dentro dos âmbitos externo e interno à empresa:

Atuação externa:

Ser porta-voz e formador de opinião sobre a Sustentabilidade Corporativa através da publicação de artigos, palestras, exposição de projetos da empresa e debates com seus pares;

Relacionar-se com líderes do pensamento em sustentabilidade corporativa, mantendo-se como canal aberto de comunicação;

Trabalhar com Marketing de Comunicação para posicionar a empresa como player focado na sustentabilidade corporativa;

Acompanhar os passos da concorrência local e global e promover estudos de análise de tendências de mercado e tecnologias;

Incentivar, coordenar e permitir a colaboração da empresa em projetos de sustentabilidade e melhores práticas, sempre observando o contexto no qual a empresa está inserida;

Representar a empresa junto aos órgãos governamentais e institucionais diretamente ligados ao tema da sustentabilidade;

Atuação interna:

Ω Desenvolver uma visão estratégica para a empresa, garantindo que a competência da sustentabilidade permeie toda a  organização;

Ω Interagir com a organização para coordenar recursos em todas as áreas visando o compartilhamento de idéias, tecnologias, processos e melhores práticas;

Ω Incentivar e promover a participação de todos os colaboradores;

Ω Trabalhar com Marketing de Produto e Serviços para estabelecer plano de ação para promover ajustes nos produtos atuais e futuros, maximizando os índices de sustentabilidade no seu desenvolvimento, embalagem, entrega, logística reversa e descarte;

Ω Trabalhar com Setor Jurídico para garantir aderência às leis e legislações de cunho ambiental;

Ω Desenvolver uma equipe de profissionais de sustentabilidade na empresa e suas linhas de negócios, aproveitando os recursos existentes e mobilizando outros apoios, com objetivos de promulgar uma mudança de cultura, políticas e melhores práticas.

Ω Criar Key Performance Indicators para serviços e produtos visando componentes da sustentabilidade;

Ω Avaliar aplicabilidade por exigência ou boas práticas de certificações como ISO 14001, Sistemas de Gestão Ambiental, Gestão das Emissões e Mitigações de GEE (Gases de Efeito Estufa)

Ω Garantir implantação e efetiva manutenção de um plano de redução de resíduos, bem como de transformação destes em matéria-prima a ser reciclada;

Ω Desenvolver com a área de compras, políticas de compras sustentáveis, criando um ranking para os fornecedores que deverão  se comprometer a trabalhar com essa competência nos seus negócios;

Ω Criar medidores de eficiência energética, hídrica e de qualidade do ar;

Ω Promover programas de treinamento e desenvolvimento contínuos dos colaboradores para que se comprometam tanto dentro da empresa como em seus lares;

Ω Aderir às boas práticas da empresa tais como governança corporativa, gerenciamento de projetos, dentre outras;

Ω Apresentar relatórios periódicos dos principais KPIs;

Ω Coordenar e apresentar o relatório anual de sustentabilidade.

Finalizo reforçando que o CSO é uma realidade em poucas empresas e um futuro não muito distante para as demais.

Prometo retornar em breve, falando do CSO inserido em cada tipo de indústria e mercados e seu papel na transformação de empresas cinzas e Verde$.

O que é ser Sustentável?


O que é ser Sustentável ?

Gosto de começar as primeiras aulas do ano fazendo essa pergunta aos meus alunos. Quase que invariavelmente vejo rostos com expressões desconfiadas, coloridas, verdadeiras “caras de paisagem”. Investigo e avanço um pouco mais o tema e vou percebendo que há luz no fim do túnel.

No meu caminho de volta para casa penso no assunto. O que eu faria, ou melhor, o que será que tenho feito para contribuir com o aclamado desenvolvimento sustentável? Meu refrigerador tem eficiência energética “A”. Fecho a torneira enquanto escovo os dentes. Gosto de comprar alimentos com selos que indicam respeito a práticas socioambientais. Separo meu lixo religiosamente todos os dias. Será que contribui? Às vezes fico com pena daquela água que lava a latinha de creme de leite antes dela ir parar no cesto de lixo reciclável. Fico pensando em quanto tempo, dinheiro e produtos químicos foram utilizados pra fazer com que aquela água que lava a latinha chegasse à torneira da pia do meu apartamento, limpinha. Desconfio da minha ação, mas deposito orgulhosa nas lixeiras do condomínio meu lixo reciclável quatro vezes mais volumoso que meu lixo orgânico, mesmo assim.

E o empresariado?   Será que faria “cara de paisagem” diante dessa pergunta?   O que é ser uma empresa sustentável?

Acredito que não faria. Em minha militância na área ambiental tenho visto ações ambientalmente responsáveis adotadas pelas empresas. Uso de fontes alternativas de energia, estudos de ciclo de vida de produtos e ecodesign, reuso de água, produtos certificados, construções certificadas, reciclagem, co-processamento, sistemas de gestão ambiental.

É claro que a legislação ambiental não deixa muita margem de escolha nas ações. A fiscalização, apesar de notoriamente deficiente (falta de verba e pessoal, equipamentos e veículos inapropriados ou em pequeno número), feita pelos órgãos ambientais nas três esferas da federação está no encalço principalmente das empresas e impõe condutas ambientalmente corretas sob pena de sanções e interdições.

Por outro lado, há empresários que perceberam oportunidades de negócios investindo em prestação de serviços na área ambiental. É crescente o número de empresas especializadas em coleta de resíduos, tratamento de efluentes, marketing verde etc. As indústrias por sua vez também têm se tornado mais verde. O  lema da administração de negócios dos últimos anos tem sido “ Green is Green ”, em uma analogia ao dólar.

Mas o que será do desenvolvimento sustentável se o ganho econômico e a melhoria da qualidade ambiental não agregar a vertente social por meio da distribuição desses benefícios?

O Brasil vive uma onda de crescimento econômico que, diga-se de passagem, não é novidade em nosso país. Investimentos em hidrelétricas, biocombustível, pré-sal trouxeram grandes riquezas, mas será que garantiram a inclusão social mediante promoção do desenvolvimento humano local?

Nos últimos anos cientistas e governantes de diversos países vêm discutindo os efeitos nocivos de um desenvolvimento historicamente não planejado sobre as reservas naturais do planeta. As mudanças climáticas têm sido apontadas como o efeito mais evidente da alteração dos ecossistemas.

Nesse início de ano vivenciamos aterrorizados os sintomas do aquecimento do planeta com fortes chuvas e inundações, em especial na região sul e sudeste, ventos fortes no sul do nosso país e grandes nevascas no hemisfério norte.

Acompanhamos no final do ano de 2009 em Copenhague a 15º Conferência das Partes (COP 15), reunião de cientistas e dirigentes de vários países com o objetivo comum de encontrar soluções para controle dessas alterações climáticas . [1]

[1] Na última edição dessa revista fizemos um breve histórico sobre a criação do marco legal internacional que propôs medidas para controle das mudanças climáticas, a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima – CQNUMC, cujos dispositivos não possuem caráter coercitivo. Falamos sobre seu braço mandatório, o Protocolo de Quioto, que fixou limites obrigatórios para controle dos GEE. E vimos que os países signatários do Protocolo de Quioto foram divididos em Anexo I, para aqueles países considerados desenvolvidos e que tiveram metas de redução de GEE e o grupo dos “não-Anexo I” que reuniu os países em desenvolvimento, incluindo o Brasil.

Apesar da reunião terminar sem uma proposta objetiva e definitiva sobre metas de redução dos gases de efeito estufa (GEE) responsáveis pelas mudanças climáticas, nosso presidente da república lá presente, assumiu em discurso o compromisso de empenhar esforços para alcançar níveis consideráveis de redução desses gases em nosso território, muito embora as metas compulsórias para redução não caibam ao Brasil.

Coerente com sua promessa, em 28 de dezembro, o presidente Lula sancionou a Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC) cujos objetivos devem estar em consonância com o desenvolvimento sustentável a fim de buscar o crescimento econômico, a erradicação da pobreza e a redução das desigualdades sociais.

Esta lei será regulamentada por um decreto com as metas de redução de emissão para cada setor da economia e o Governo já se programa para realizar reuniões com a sociedade civil, cientistas e empresários de áreas como construção civil, mineração, setor agropecuário, indústria de bens de consumo, de serviços de saúde e transporte público para discutir essas metas.

É evidente que esta lei vai gerar impacto nas atividades, resta saber se o empresariado vai aguardar o comando para agir ou adotar medidas preventivas.

Uma forma de se adiantar a essas exigências é fazer uso do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), uma das ferramentas do Protocolo de Quioto que permite que países industrializados (Anexo I) financiem projetos de redução de emissões de GEE em países em desenvolvimento (não Anexo I) gerando créditos de Reduções Certificadas de Emissões (RCE) como modo suplementar para cumprirem suas metas.

O Brasil foi pioneiro em negociar créditos de carbono originados de projeto de MDL. A Prefeitura de São Paulo, responsável pela administração do Aterro Bandeirantes, implementou um sistema de canalização dos gases gerados pela decomposição dos resíduos evitando assim que fossem parar na atmosfera. Esse seqüestro de GEE gerou créditos de carbono que foram negociados na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) em 26 de setembro de 2007. O banco holandês Fortis Bank NV/SA pagou R$34 milhões por 808.450 créditos de carbono. [2]

[2] Para cálculo de emissão de GEE convencionou-se que uma tonelada de dióxido de carbono (CO2) corresponde a um crédito de carbono que pode ser negociado no mercado internacional

Segundo dados apresentados pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), até o momento foram 5.804 projetos de MDL apresentados ao Conselho Executivo do Protocolo e “o Brasil ocupa o 3º lugar em número de atividades de projeto, com 438 projetos (8%), sendo que em primeiro lugar encontra-se a China com 2.162 (37%) e, em segundo, a Índia com 1.546 projetos (27%)”. [3]

Participação no Total de Atividades de Projeto no âmbito do MDL no Mundo

[3] Status atual das atividades de projeto no âmbito do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) no Brasil e no mundo. Última compilação do site da CQNUMC: 01 de fevereiro de 2010 ( http://www.mct.gov.br/upd_blob/0208/208544.pdf )

Dos 5.804 projetos apresentados, 2.029 foram efetivamente registrados pelo Conselho Executivo do MDL. A China ocupa a primeira posição com 732 registrados, seguida da Índia com 481 projetos e em terceiro lugar o Brasil com 168.

Projetos MDL Registrados no Mundo

Projetos MDL Registrados no Mundo - Fonte: MCT, 2010 (http://www.mct.gov.br/upd_blob/0208/208544.pdf)

Outra forma do empresário brasileiro se antecipar às metas de redução que serão impostas pelo decreto regulamentador da PNMC é aderir ao mercado voluntário de carbono. Organizações que não precisam diminuir suas emissões segundo as regras do Protocolo de Quioto há algum tempo já comercializam suas reduções de emissões em mercados voluntários, como o Chicago Climate Exchange.

Um outro cenário é aquele em que floresce naturalmente a conscientização de pessoas ou corporações por sua parcela de contribuição com o aquecimento global e recorrem às compensações de carbono; uma espécie de neutralização de suas pegadas ecológicas .

Quem pode fazer? Qualquer pessoa ou empresa. Onde? Em edifícios, meio de transporte, atividades diversas como operação de produtos e serviços, eventos como congressos, shows, conferências etc.

Como funciona? Empresas de consultoria calculam a emissão de GEEs do cliente a partir de uma referência: uso de eletricidade, quantidade de deslocamentos aéreos, utilização de veículo e tipo de combustível, a realização de evento etc. Com o resultado das emissões faz-se a compensação por meio de financiamento de projetos que absorvam esses gases da atmosfera, como o plantio de árvores em áreas de preservação permanente. Alguns exemplos de atividades que neutralizaram suas emissões:

Entretenimento: Banda Asa de Água na 4a. edição da Trivela na Praia do Forte, Bahia em 2010, show do grupo Rappa realizado em junho de 2009.

Companhias aéreas: Gol, TAM, Silverjet

Eventos: edição de inverno de 2009 do SPFW, Circuito Banco do Brasil de Vôlei de Praia de 2008

Empresas: Papel Report Carbono Zero da Suzano, Natura, Bosch Eletrodomésticos;

Essas iniciativas, entretanto, são tímidas e pontuais e poucas organizações investem em produtos e serviços carbono neutro, menos ainda em projetos que envolvam aspectos sociais.

O setor sucroalcooleiro já se adiantou e incentiva estudos que contabilizam o balanço de emissão de CO2 no ciclo do etanol.

O BNDES, que desde 2003 apóia ações de inovação para as micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) lançou em 2009 um cartão que permite a contratação de serviços de pesquisa e desenvolvimento fornecidos por Instituições Científicas e Tecnológicas (ICTs) credenciados.

Entre os itens financiáveis estão aquisição de transferência de tecnologia, de serviços técnicos especializados em eficiência energética e impacto ambiental, design, prototipagem, resposta técnica de alta complexidade, avaliação da qualidade de produto e processo de software.

Em uma perspectiva de gestão de negócios frente às mudanças climáticas é preciso que o empresário pense em inovação e adote políticas de sustentabilidade. A nova ordem exige ações de estudo dos impactos ambientais provocados pela atividade e adoção das respectivas medidas mitigadoras. A sociedade está ampliando conhecimento e preocupação com a qualidade do meio ambiente e sente-se cada vez mais atraída por produtos e serviços de empresas com responsabilidade socioambiental.

Faça a sua parte!

Autora:

Adriana Ponce Coelho Cerântola é advogada especializada em meio ambiente, sócia-fundadora de Santos & Cerântola Sociedade de Advogados, docente e palestrante. Contato: adriana@santoscerantola.com.br (55 11) 3864-9501 e 9998-8885.

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